Clara Arruda 2019
NEGÓCIO INCLUSIVO EM CADEIAS DE VALOR

Nós celebramos a diversidade das pessoas e rejeitamos estereótipos de beleza. Pagar um preço justo às comunidades que trabalhamos é o centro de tudo o que fazemos. Nós lutamos pelo que é certo. Nós tentamos ajudar a desenvolver a comunidade em que estamos inseridos fomentando o empreendedorismo de alto impacto social.

Abaixo foi feita uma entrevista com Ellys Arruda, diretora administrativo financeiro da Clara Arruda.

Veja abaixo as perguntas e respostas

O Banco do Nordeste do Brasil S.A, através de sua central de informações econômicas e sociais, fez um estudo com base principalmente no Censo demográfico 2010 do IBGE, no qual apresenta o perfil da população que vive na região nordeste do Brasil. Nesse perfil, além de dados de: gênero, idade, crescimento populacional dentre outros o que nos chamou mais atenção foi em relação à renda.

No estudo fica evidente que uma parcela grande da população vive com renda familiar insuficiente para sair da linha da pobreza. É notório que em estados como o Maranhão e Piauí esses números são bem mais alarmantes. No entanto, no mapa que é mostrado da região, fica evidente que ao redor da cidade onde a empresa Clara Arruda está localizada, apesar de ser próximo do Rio São Francisco, apresenta uma alta porcentagem da população vivendo em condições não dignas do ser humano, com baixa distribuição de renda.

Esse fato, somado a seca da região e a falta de oportunidades de trabalho, tem levado a um movimento migratório de pessoas para as cidades vizinhas em busca de melhores condições de vida.

Paulo Afonso, também, como muitas outras cidades apresenta um alto grau de criminalidade devido a ser um ponto estratégico em distribuição de drogas e narcóticos.

A Clara Arruda, no desenvolvimento de suas atividades, busca minimizar esses problemas capacitando pequenas famílias do semiárido nordestino, aumentando a distribuição de renda e por sua vez evitando a migração para  outras cidades em busca de melhores condições de vida. Além disso, através do projeto social junto à penitenciária de Paulo Afonso, busca reabilitar os detentos oferecendo caminhos alternativos de sobrevivência e uma perspectiva de futuro melhor, fora da prisão.

Nós conseguimos de maneira simples e eficiente utilizar a cadeira de moda, como instrumento de inclusão social de pessoas que estão à margem da sociedade no semiárido nordestino. Nosso objetivo é humanizar uma cadeia que muitas vezes é sinônimo de “superficialidade” e/ou “consumismo”.

Para isso, trabalhamos em duas frentes: Clusters produtivos e trabalho social realizado junto à penitenciária da região. Os clusters produtivos são pequenas famílias do semiárido nordestino que são treinadas e subsidiadas para que possam extrair seu próprio sustento, além de crescer como microempreendedores locais. Acompanhamos essas famílias fornecendo todo o treinamento e matéria-prima necessária e nos certificamos que nenhuma mão de obra infantil seja utilizada. Por outro lado, também desenvolvemos um trabalho de ressocialização dos detentos junto à penitenciária de Paulo Afonso, através do qual é fornecida uma nova oportunidade de vida com a aprendizagem de um novo ofício. Além de redução da pena, os detentos encontram na produção de moda uma nova chance de se reerguer na sociedade.

Dessa forma, com essas duas frentes de trabalho, tentamos solucionar, ou pelo menos minimizar, a falta de oportunidades que essas pessoas enfrentam em seu cotidiano, trazendo maior crescimento e distribuição de renda, uma vez que toda a mão de obra é remunerada.

Tanto os clusters produtivos como os detentos são selecionados e treinados para exercer tal função. Além disso, disponibilizamos um supervisor para acompanhar de perto a produção e evolução dos mesmos. A intenção é tornar cada cluster em uma unidade de negócio independente, primando pela sua qualificação e organização financeira.

Primeiramente, por tentarmos estar inseridos na filosofia do movimento Fashion Revolution, oferecemos aos nossos clientes, peças que se contrapõem ao movimento Fast Fashion (moda rápida), ou seja, produzimos uma moda  mais consciente e duradoura, que independente da coleção a jovem Clara Arruda sinta-se sempre linda, por dentro e por fora.

O consumidor atual, seja em qualquer área, está cada vez mais reflexivo sobre sua presença no mundo e sobre o impacto de suas escolhas. O ato de “comprar por comprar” tornou-se ao longo do tempo vazio e sem significância. Por isso, os consumidores cada vez mais direcionam suas escolhas para marcas que possuem maior impacto social. Nesse aspecto, a Clara Arruda ganha bastante destaque em relação às diversas marcas de moda que produzem sem mencionar os impactos que balizam suas atividades.

A profissionalização de pequenas famílias do semi-árido nordestivo e a capacitação dos detentos da penitenciária de Paulo Afonso fundamentam as nossas ações de transformação social através da moda.

Além disso, a Clara Arruda trás para o mercado não somente produtos que tenham modelagem e estampas exclusivas, cuidadosamente desenvolvidas e pensadas em consonância com as tendências dos principais centros de moda do mundo. Procuramos atrelar as tendências na criação de peças marcadas por qualidade e atemporalidade. Além disso, elas vêm carregadas de uma dose extra de essência e personalidade. Ao comprar Clara Arruda o consumidor tem a certeza que está fazendo parte de uma seleta corrente do bem, pois ajuda a desenvolver a mão local e trazer benefícios para a sociedade. Entendemos que o consumo de moda deve existir como forma de expressão e valorização humana e não simplesmente pelo fato de consumir por consumir.

Nós iniciamos nosso projeto social com apenas dois clusters familiares e hoje já temos 10 famílias que são beneficiadas e conseguem desenvolver sua própria forma de subsistência. Todas as famílias possuem apoio do SEBRAE na abertura de inscrição de Micro Empreendedores Locais. Dessa forma, começam a ser percebida pelo “radar” do governo e dos agentes financeiros para que tenham uma oportunidade de se inserir na cadeia de produção, linhas de crédito e benefícios sociais.

Em relação à escola de corte de costura junto a penitenciária de Paulo Afonso, iniciamos com 4 detentos e atualmente constam 18 que além de redução de pena conseguem aprender um novo ofício. Como essa escola funciona de  forma rotativa, com entrada e saída de detentos a cada semestre, mais de 40 detentos já foram beneficiados, impactando também nas vidas das famílias dessas pessoas.

Como o projeto é jovem, ainda não possuímos métodos de avaliação dos impactos socioambientais de forma objetiva. Porém, o que podemos medir é a evolução pessoal e financeira na vida das pessoas que fazem parte desse projeto. Boa parte das famílias, através de suas novas atividades e oportunidades geradas através da Clara Arruda, conseguiram abrir contas em banco e ter acesso a linhas de crédito, financiar equipamentos próprios para produção, adquirir bens materiais que antes eram inacessíveis além de possuir melhor qualidade de vida.

Além disso, houve um aumento significativo na quantidade de detentos interessados em fazer parte da escola de corte de costura, melhorando seu comportamento interno e seu nível de rendimento familiar já que recebem por suas atividades.

Alguns deles depois da saída do presídio construíram suas próprias células produtivas com seu novo ofício, e não reincidiram na criminalidade.

Nós geramos muito mais do que renda para essas famílias, geramos oportunidades econômicas e sociais. Econômicas, pois há a geração de renda e o desenvolvimento de uma nova profissão. Sociais, pois muitas dessas pessoas que costuram em seus clusters familiares são mães, pais e donas de casa. Por isso trabalhar dentro de seus lares é uma oportunidades de estarem mais perto da família e cuidando melhor dos seus filhos evitando, ou pelo menos, diminuindo as chances dessas crianças serem aliciadas para a criminalidade

Consideramos que promovemos o desenvolvimento sustentável à medida que geramos oportunidades de emprego e crescimento para pequenas famílias do semi-árido nordestino e estimulamos a transformação delas como microempreendedores individuais. Assim, essas famílias que antes estavam à margem da sociedade conseguem ter acesso a linhas de crédito, além de  diversos benefícios sociais. Essas famílias com maior oportunidade de trabalho produzem e geram renda que é redistribuída na própria região, diminuindo as correntes migratórias para cidades vizinhas em busca de melhor qualidade de vida.

Além disso, contribuindo para a formação dos detentos da penitenciária de Paulo Afonso conseguimos reduzir de forma drástica a reincidência dos mesmos ao mundo do crime. Assim, como cidadãos com um novo ofício, conseguem oportunidade de se reerguer e voltar ao mercado de trabalho de forma digna.

Entrevista realizada dia 10/03/2017 em Paulo Afonso.

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(75) 99139-9992 / (75) 98881-5693

Clara Arruda

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Paulo Afonso – Bahia